A gente pensa que não mas o tempo passa tão rápido, engraçado ver quais os percursos que a vida vai tomando, ou que tomam a vida da gente.
Lembro incessantemente das fases da minha vida, às vezes me sinto até meio velha por isso, sinto como se já tivesse vivido muito, passado por muitas coisas, mas tudo , na verdade, ainda só está começando.
Hoje, enquanto mais uma vez caminhava para meu novo caminho velho, pensava em só sair do sol de três e meia em Fortaleza, além disso pensava que louco imaginar que estivera em outro solo, e tão rápido já estou de volta à minha terra. Pensava que vou fazer os concursos para professor, pensava que a estabilidade é algo que paira na minha mente como uma obrigação que eu nem sei porque existe em mim.
Estive, de corpo presente apenas, na reunião tortuosa, muita fala e pouca ação, saí de lá, corri pelo mesmo caminho antigo de um ano atrás, lembrava o quanto tudo mudou, e não faz pouco tempo, ao contrário do que eu quero imaginar.
Lembro como ontem, a primeira vez que o vi no Dragão, antes mesmo de trabalhar lá, na seleção, vi aquele cara desajeitado encostado na cadeira de vime, ele chamava a atenção pra uma garota deitada no chão, ele dizia ser uma performance, nessa época eu nem imaginava o que diabos era performance.
A próxima vez já na primeira reunião de trabalho, ele subia as escadas, e eu nem imaginaria que dividiria a mesma poltrona que ele, tão displicente, nem dei conta do quanto ele era bonito, sentou do meu lado como se há muito me conhecesse.
E aí vieram a vontade de se ver, as manhãs divididas, as alegrias divididas, as festas divididas, sem querer quando ele leu pra mim seus melhores sentimentos perdi meus próximos dias até hoje.
Vieram também, as descobertas que nunca estiveram cobertas, as revelações, e os laços cada vez mais justos, não havia como voltar, éramos felizes, por mais que improvável fosse, ou pelo menos eu pensei que fôssemos.
E hoje, depois de tantas voltas, alguns quilômetros rodados, algumas expectativas e uma carta que nunca recebeu resposta, cá estou.
Prestes aos vinte e quatro, que ele fez e que em mais um ano eu não pude felicitar.
Próximo de uma data que é bem mportante pra mim e querendo definitivamente encontrar uma forma de refletir sobre esse setor da minha vida.
Não é raiva, nem orgulho, é apenas o cansaço de implorar aquilo que eu não preciso, uma melancolia pequenina também, quando lembro de querê-lo como amigo próximo na minha vida, talvez essa seja a minha maior chateação.
E em casos como esse, o que se faz? Esquecer não é tão fácil, talvez eu devesse realmente falar tudo o que sinto e o que senti, um dia, talvez eu devesse mesmo.
Mas hoje eu quera apenas que ele lêsse, essas linhas, pois ele saberia ser ele e saberia que o que eu sempre quisera foi vê-lo e ter sua presença amiga.
Quem sabe, né? Por hora eu vou caminhando, levando essas lembranças que às vezes me enchem o saco.
O dia terminou com novas descobertas, conversas boas e a dica de que é importante escrever de forma mais clara, pra mim existem coisas bem claras, porém, outras como essa que escrevi acima que não são tão bem resolvidas, porém, por mais complexo que aparente dessa vez acho que me farei entender.